3 de dez. de 2010

Não quero mais

É costumeiro dizer “nunca diga nunca”, exceto quando o que se afirma é apenas relato do que nunca ocorreu até então, não direi "nunca" mas não quero. Na verdade, suponho, o dito popular se aplica para as concepções que o futuro poderá – ou não – trazer. Fatos passados não correspondem a esta idéia. Já que Cazuza no seu auge poético via um museu de grandes novidades, por que não fazer o mesmo exercício? Quero coisas novas a cada despertar. E quem diz que um dia é sempre igual ao outro é porque não está vendo as novidades que cada momento traz. Algumas coisas são invisíveis aos olhos, estamos certos. E é por isso que minha lista de hoje será a de Não quero mais.

Portanto...

Não quero mais o ontem que se foi com todas as marcas que já doeram. Não quero mais a nostalgia do que poderia ter sido. Qual o proveito? Não quero mais prender coisas nem pessoas. Quem precisa de mim sou eu que me esqueci por não poucos anos. Quem quiser me amar, que ame. É de graça, jamais cobraria. Mas, um porém é certo: que me ame mesmo coberto de casacos de defeitos e sem pretensões de querer me “endireitar as veredas”. Não quero mais me embriagar com a noite, apesar de não querer largar os encantos da lua. Saibam que meus dias pedem luz solar, e eu sinceramente não raciocino tão bem depois de uma da madrugada. Não quero mais ambientes barulhentos porque não consigo “me” acomodar, só me incomodar (meus amigos me dizem que tô ficando velha, mal sabem que canto os versos de Marisa Monte: “Vivo tranqüilo, a liberdade é quem me faz carinho”). Não quero mais falar e ter que me explicar quando tecerem ambigüidades (não abandonei o trema, viu!) no meu discurso. O que disser, tá dito. Façam suas interpretações e as assumam pra si. Mas há coisas que nunca falei, pensem bem na hora de me cobrar. Não quero mais a companhia duradoura de sentimentos que não me suprem os reservatórios de energia da alma. Não quero mais, ao menos por enquanto, dizer que tá bom assim e que assim ficará. Cada momento tem seu quê de mistério. Por ora, é meu torpor ficar assim, quietinho no meu canto. Não quero mais pular as fases de qualquer coisa. Já disse o que precisava acerca do mistério de cada momento. Não quero mais me agarrar ao ativismo enebriante que ativa o “stress”. Como diria o Marcelo Medici, “a vida é minha, o pobrema é meu”. E por ser a minha vida, tão preciosa a mim e sobretudo Àquele que a deu pra ser significativamente bela, não quero mais que me confundam nas aparências de quem sou e como sou. Não quero mais porque não quero. Quando voltar a querer, a gente chama as reticências e toma umas e outras pra predicar o meu retorno. Ah, sim, não quero mais consumir álcool. Se bem que nunca fui uma bebum, mas é que me cansei do incômodo de temer ficar embriagada.


Rapidinhas:
1. Hoje, um amigo aniversaria. Leo e os seus 18 anos. Aeeee! Parabéns! Já pode tirar carta de motorista (risos). Love you!

5 comentários:

Ana Marcela disse...

Oi, Gostei do post e da forma como brinco com as palavras! Jogar fora que não se quer + faz bem pra Alma!

beijos

Diego Ferraz disse...

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já não têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares.

É o tempo da travessia...e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre, à margem de nós mesmos."

(Fernando Pessoa)


Às vezes precisamos "ousar" para nos encontrarmos.
************************************
Ps: Parabénssss Leo!(meu amigo emprestado):)
Tudo de melhor em sua vida, que Deus te ilumine!

Beijossss!!!

Juuh! disse...

...

Falou e disse, maninha! Gosto de dizer que ousar é separar roupas de fatos pra se vestir bem pra si!

Por falar nisso, ouso dizer que me é inspiradora com sua luz de vida que pinga e goteja em baldes de amizade!

P.S.: Amém e amém pela vidinha do Leo. Ele é tímido, mas ficará feliz quando disser. Hoje não escapará dos meus abraços (que ele tanto gosta)!

...

Carlos Eduardo disse...

"Você me deixou SATISFEITO
Nunca vi deixar alguém assim
Você me livrou do preconceito de partir
Agora me sinto feliz A-Q-U-I

Quem foi que disse que é impossível ser feliz sozinho?

Vivo tranqüilo, a liberdade é quem me faz CARINHO
No meu caminho não tem pedras, nem espinhos
Eu durmo sereno e acordo com o CANTO dos passarinhos"

[E cantamos JUNTINHOS o refrão assim: Lá laia laia laia laia laia lá laia laia laia lá laia laia laia laia...]
(Composição: Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte)


Tenho dias LINDOS mesmo quietinho...

Xêro meu no cangote seu...
Não, também não quero ..."mentiras sinceras me interessam mais" (Cazuza)...já cuspia Cazuza no asfalto da vida.

Anônimo disse...

...

"Tem gente que recebe Deus quando canta
Tem gente que canta procurando Deus
Eu sou assim com a minha voz desafinada
Peço a Deus que me perdoe no camarim

Eu sou assim
Canto pra me mostrar
De besta
Ah, de besta"

(Cazuza)

Pra me mostrar CONTENTE com o canto de LIVRE-VERDADE com o que te leio, amiga!


Sim, sim, sim. "Nos" interessam mais que qualquer piscina ideológica repleta de ratos!

Beijo!

...

Postar um comentário