7 de fev. de 2011

Poeira na boca

Quando se deseja realmente dizer alguma coisa, as palavras são inúteis. Remexo o cérebro e elas vêm, não raras, mas toneladas. Deixam sempre um gosto de poeira na boca - a poeira do que se tentava expressar, e elas dissolveram. Quanto mais palavras ocorrem para vestir uma idéia, mais essa idéia resiste a ser identificada. As sucessivas roupas sufocam a sua nudez. E todas as palavras são uma grande bolha de sabão, às vezes brilhante, mas circundando o vazio. .

Um comentário:

Ana Marcela disse...

Entendo bem eu, que me atrapalho com as palavras. Sei mesmo é falar com os olhos, e com o teclado. Assim quietinha.

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