3 de mar. de 2011

Suor

As cartas mais belas são aquelas cheias de rasura.
Estas encenam a dificuldade de serem escritas, o ardor com o qual o autor escolhe as palavras e o tremor que lhe causa o amor.
Que uma carta pressupõe um amante. Que as palavras exigem algo além da indiferença. Que o capricho se esvai ao toque da sinceridade.
E não pude maquiar minhas sentenças tortuosas e ilegíveis.
Reescrevê-las seria reescrever-me.
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Ps: a ausência do perfume usual.
Ps²: e ainda assim sei que tudo isso lhe cheira tão doce.

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