17 de mai. de 2011

Julieta, A Prendada III

      Marcaram na Sexta, mas acabaram por se encontrarem apenas no Domingo, no bar de sempre mesmo. Ao chegar lá, Lendon foi rodar o local para fazer seu social e cumprimentar os conhecidos e lá se depara com Julieta, num encantador vestido preto e uma rosa vermelha a lhe prender o cabelo. Ah não, rosa vermelha não.Trocou algumas palavras com ela e continuou na sua andança. Sim, confesso, ele estava morrendo de medo, medo desta desconhecida forma de Julieta agir. Acabou os cumprimentos, pegou uma cerveja, fumou um cigarro e tomou coragem para finalmente encarar Julieta.

                A conversa começou fria, sem muito assunto. O fato de que já estava meio combinado que ficaríam naquela noite criou um certo constrangimento. Ele foi arrastando-a cada vez mais distante das caixas de som, na esperança de que fosse o alto volume que estava a atrapalhar. Acabaram no lugar mais calmo do bar e no mais discreto também, um cantinho escondido no fundo do fumódromo e lá, a conversa finalmente engrenou. Julieta lhe contou sobre toda sua vida, família, faculdade, ex-namorado, e sobre como ela se via no meio disso tudo. Ele revelava pouco a seu respeito. Ela gostava de falar,  melhor assim, pois ele poderia entendê-la melhor. Tentou um primeiro beijo; acanhada, ela declinou. Deixou a conversa rolar até sentir uma maior desinibição de Julieta e foi então que a beijou. Um beijo carinhoso, mas descompassado, haveria de treinar mais para chegarem a uma boa sincronia.
                Esse beijo quase fracassado não vingou num amasso mais caliente, mas sim numa tenra troca de carícias; e foi neste exato momento que Lendom comecei a ver Julieta de uma maneira diferente. Mesmo com o beijo ruim, ele continuava ali, vidrado nela, se deleitando com todos os seus afagos. De fato, Julieta estava saciando sua carência afetiva, mas era mais que isso. Julieta estava ali a provar que sua presença era tão interessante que a "pegação" não lhe fazia falta.
                A carona de Julieta veio a chamar para ir embora. Ela se despediu, o beijou mais uma vez e foi embora. Quando Lendon se levanta da cadeira, eis a sua surpresa. Pela primeira vez na vida, única e inédita vez, uma mulher lhe deixou com a perna bamba. Assim que colocou seus pés a se firmar no chão, suas pernas tremiam, e como tremiam. Tremiam a tal ponto que dificultava o seu andar. Quando percebeu, suas mãos também estavam a vibrar. Que mulher é essa, que fez o resoluto e obstinado Lendon balançar feito gelatina?

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5 comentários:

Gabi disse...

eles voltaram a se encontrar depois disso?

Nah Cavalhieri disse...

Calma que tem mais, Gabi.

Ana Marcela disse...

Curiosa pra ler o desfecho dessa história.

Só espero ao fim nao ler um "culpa dela", até porque psicólogos são meio imprevisíveis, rs.

Nah Cavalhieri disse...

Só mais 2 partes, ou 3...

Juuh! disse...

Srta.Nah, quando é que vc vai resolver publicar o resto da história? ahh, para de fazer cú doce e publica esse negócio logo!

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